O início da rota dos nove templos. O caminho é tudo

Dá uma sacada no post anterior! Lá, falamos sobre como levar uma bike de Olinda (PE) para a ilha de Bali, debaixo do braço.

 

 

 

 

Grande, mágica, cheia de novidades, Bali não é muito diferente da Índia. Uma ilha cheia de deuses. Não bastasse a incrível relação com o hinduísmo e sua gama de entidades espirituais, ela ainda comporta, em menor quantidade, tradições religiosas chinesas, muçulmanas e cristãs. Acho que não conheci, ao longo de minha vida, uma comunidade que convivesse em tanta harmonia e organização comunitária.

 

Contudo, vale especificar, os endereços de Bali não eram tão precisos assim... Esta faceta, foi das mais engraçadas! As ruas não possuem placas com nomes como é de costume no Ocidente. O conhecimento dessas localidades acontece através da oralidade. Ou você pergunta, se comunica com a população, ou dificilmente vai encontrar a localidade que lhe interessa. As casas também não possuem números em muros. Uma lógica que exige dos estrangeiros táticas para melhor conhecer as diversas regiões da ilha.

 

Chegar em uma praia turística pode mesmo ser um desafio. Pequenas passagens, um tanto obscuras, funcionam como portais de entrada para um paraíso de areia e água salgada. Turista perdido, surfista procurando orla marítima, é um cenário recorrente. É quase impossível não se perder em Bali.

 

 

 

 

Nem dá para se estressar, Bali é assim e ponto final. Não adianta se guiar por aplicativos de celular acreditando que irão te levar, com facilidade, ao local escolhido. Isso é uma inverdade. Para vocês terem uma ideia, certas regiões de Bali nem foram mapeadas pelo street view do Google maps.

 

Bali é uma ilha em constante mobilidade, a gentrificação, hoje, é uma infeliz realidade local. A paisagem muda rapidamente. Grandes condomínios e resorts se espalham pela ilha, em busca de um turismo predatório. Essa situação só piora o conhecimento da geografia local. Por mais que circulasse, vivia me perdendo pelas ruas balinesas. 

 

Essa situação não mudou muito rápido, mais fui relaxando. Foram necessários ao menos três meses para compreender como funcionavam ruas, becos, avenidas, florestas e entradas de praias.

Eu tive que aprender, me entregar a um outro mundo, totalmente diferente do meu, no mais ínfimo detalhe. Ir e vir se tornou um enigma a ser desvendado. 

 

 

 

 

 

 

Mas, dizem que só achamos o caminho correto quando nos perdemos... Um belo dia, pedalando para resolver necessidades cotidianas, eu esbarrei em uma construção deslumbrante. Fiquei de boca aberta, quase não acreditei no que via. Foi meu primeiro encontro com a religião em Bali.

 

Satya Dharma é um templo confucionista, com práticas budistas tipicamente chinesas. O colorido do teto e das paredes, a talha na madeira tão rebuscada, a iluminação brilhante noturna, deixam qualquer ser humano apaziguado com sua alma. Esse templo, tão surpreendente, foi construído numa área portuária.

 

Os incensos levados para esse espaço são vermelhos, necessariamente vermelhos. Os mantras cantados pelos budistas são delicados. Naquele encontro, com aquela arquitetura religiosa, com aquele tipo de estética tão específica, havia decidido que conheceria Bali, realizando o que chamei de rota dos nove templos.

 

 

 

 

Essa escolha não foi propriamente aleatória. A ilha é dividida em oito regiões - Jembrana, Buleleng, Tabanan, Badung, Gianyar, Klungkung, Karangasem, Bangli - conjuntamente com a capital Denpasar. Para cada região, eu visitaria um templo. Eis a maneira que escolhi, para conhecer esse paraíso natural.

 

Toda a rota seria feita de bicicleta, é lógico! Assim, poderia apreciar as paisagens, conhecer o cotidiano da população, ver as crianças brincando, observar os tão famosos campos de arroz. Foi uma aventura de boa monta. Alguns templos ficavam mais próximos de onde eu estava morando. No entanto, outros, ficavam bem mais distantes, exigindo algum preparo físico para a empreitada.

 

Pela ordem, segui em direção a cada um desses templos:

 

- Satya Dharma temple, Denpasar, 23 km

- Uluwatu temple, Badung, 32 km

- Monkey Forest temple, Gianyar, 78 km

- Tanah Lot temple, Tabanan, 90 km

- Pura Kehen, Bangli, 112 km

- Pura Goa Lawah, Klungkung, 104 km

- Lempuyang Luhur temple, Karangasem, 184 km 

- Rambut Siwi temple, Jembrana, 184 km

- Pura Ulun Danu Buyan, Buleleng, 172 km

 

No total, pedalei 959 km indo e vindo dos templos em relação a minha casa, que ficava na região de Jimbaran.

 

Obs: Nome do templo - nome da regência - distância total para ir e voltar em relação a minha casa.

 

 

 
 

Todas as viagens me proporcionaram uma feliz experiência de silêncio e uma possibilidade de conviver em paz comigo mesmo e com a população local. Aliás, sobre vizinhança na ilha, posso dizer: como são amáveis e atenciosos os balineses. Esse povo admirável me trouxe afeto cotidiano.

 

As crianças cantavam na minha porta, durante a tarde, por volta das 15 horas, quando tomavam as ruas de brincadeiras. As vizinhas deixavam bolinhos em minha casa. Como estrangeiro, não posso dizer muito, contudo, tive a impressão de que as práticas budistas, hinduístas e taoístas, calcadas na compaixão entre os humanos, parecem adoçar a convivência cotidiana.

 

No próximo post, abordarei cada um dos templos visitados.

Quer saber alguma curiosidade sobre Bali? Deixa o comentário, que nós trocamos informações. Terei prazer em ajudar!

 

Selamat Tinggal!

Hati Hati

Abraços,

Anderson Lucena e Laura Tatu

 

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