Pura Uluwatu, o santuário sagrado dos hindus A vida também surpreende positivamente

 

Como brasileiro já visitei vários lugares bonitos, tais como Rio de Janeiro, o Vale do Catimbau, no sertão pernambucano, as praias do Ceará, com suas águas mornas e falésias indescritíveis, a exemplo de Canoa Quebrada. Mas nunca pensei encontrar um lugar que me emocionasse tanto pela beleza estonteante quanto Uluwatu. Bali surpreende sempre, esse templo, que fica na regência de Badung, a mesma em que eu morava, inspira os mais empolgantes elogios. Esse foi meu segundo templo visitado! Só tinha visto ele pela internet, estava louco para chegar nesse lugar.

 

 

Construído numa falésia rochosa, há 70 metros de altura do nível do mar, esse templo é um dos seis santuários do mundo mais sagrados para os hindus. Nesse local, tão caro a religiosidade hinduísta de verve balinesa, pratica-se o culto a Sang Hyang Widhi Wasa, Deus das tempestades e trovões quando manifestado na forma de Rudra, casa de Shiva. Quando encontramos um trono vazio nos templos dedicados a essa entidade, ele pode ter várias canang com oferendas a um espaço vazio. Essa lógica é praticamente inexistente no Ocidente. Nossos tronos estão sempre cheios, e o vazio quase não pode existir. Um dado curioso dessa passeio é que foi nesse templo hindu que usei pela primeira vez o sarong, vestimenta obrigatória nessa religiosidade.

 

 

 

Esse templo é um lugar de turismo. Como todo lugar que recebe visitação, terá seus momentos de agitação. Inclusive, Uluwatu temple é conhecido pelos que visitam Bali por ser um dos lugares mais propícios para apreciar o pôr do sol mais estonteante da ilha. E, de fato, é um lusco-fusco dourado, que acontece na beira de um precipício gigante. Sei lá, acho que gostamos de viver essas experiências no meio de uma natureza incontornável para finalmente entendermos que somos miúdos e temos o mesmo valor do menor grão de areia. É uma espécie de integração com o Todo rara de vivenciarmos ao longo de nossa existência. Contudo, e apesar de estar ciente do famoso fim de tarde no templo, optei por um outro caminho, para me livrar um pouco dessa condição de turista.

 

Saí de minha casa bem cedinho, por volta das 8h da manhã. Peguei minha bicicleta, levei água e protetor solar e um tablet com um mapa online para seguir meu destino. Não se enganem, passei por uma hora de pedal difícil. O terreno, muito acidentado, me fez enfrentar subidas duras, mas, ainda assim, apresentando momentos de muita doçura. Encontrei famílias inteiras de macaquinhos andando tranquilamente pela estrada. Pude observar muitas árvores bem verdinhas e sentir o frescor produzido pelo tipo de vegetação tão típica de Bali. Quase me esquecia que estava pedalando. Nada melhor que a mãe natureza para enxergar o mundo com outros filtros.

 

 

Chegando no templo, após parte de um caminho que se desfila pelas falésias, meus sentidos se depararam com um cheiro de maresia. Esse cheiro de sal ficou misturado com o silêncio de uma religiosidade tão introspectiva que nem sei. Nesse momento, apartado do turismo convencional, em parte bastante desrespeitoso, o templo me passou uma paz tão verdadeira que jamais encontrei em outra construção dedicada ao budismo. De cima da falésia, tive uma visão do oceano índico paradisíaca. As águas cristalinas são hipnotizantes. Minha dica importante é a seguinte, caso deseje visitar esse local de recolhimento da alma, escolha um dia de sol bem aberto, sem muitas nuvens. O mar vira um espelho de tão limpinho, nem dá vontade de parar de olhar.

 

 

 

Passei uma hora no templo. A parte interna, com sua arquitetura em formato de obelisco tradicional balinês, fica reservada aos praticantes da religião, isso quer dizer que os turistas não podem entrar, para não perturbar o momento de contemplação do divino. Contudo, a parte externa de Uluwatu é totalmente aberta para visitação. Essa área parece um jardim, como uma pracinha, com bancos para sentar. O local tem muitas árvores, borboletas e macaquinhos, também conhecidos pela alcunha de macacos caranguejeiros. Eles adoram puxar objetos pessoais dos turistas que, costumeiramente, perdem brincos, colares, relógios ou celulares. Para recuperar? Basta trocar por uma fruta, em especial, bananinhas, os macacos adoram. Nesse espaço tão delicado, acendi um incenso e coloquei na entrada do templo. Agradeci poder ter conhecido um templo tão lindo. Também pedi muita saúde para minha namorada, a Mila, deusa braba encantada.

 

Uma água de coco refrescante me ajudou a voltar para casa. Esse cenário tão gentil com a existência humana nunca mais irá sair de minha cabeça. Agora só falta voltar.

 

 

 

Selamat Tinggal!

Hati Hati

Abraços,

Anderson Lucena e Laura Tatu

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